sexta-feira, maio 11, 2007

nexo

Persegue-me a estranha sensação de já ca ter estado. Não um estar presente ofuscante, mas antes uma vela tremelicante no ventre duro das entranhas da terra. Na montanha, milénios de decomposição erodida flagelam sarcásticamente a encosta, no seio da qual escorrem límpidos rios de frescura matinal. Pudera que o retorno ao estado da sensação de ja cá ter estado reflectisse a erosão do estado de não saber onde estou. Assim a erosão do que sou poderia ser compreendida e por fim aceite, e com deleite poderia então bebericar da agua do rio de frescura matinal e deixar-me levar até ao mar onde flutuaria sobre as águas protectoras e balsâmicas até encalhar numa qualquer ilha perdida. Ai fundaria uma nova colónia de clones e teria apenas de lidar comigo mesmo. O caos rapidamente se instalaria uma vez que todas as falhas seriam amplificadas e a força da complementariedade da variabilidade das populações heterogéneas estaria ausente. Por isso digo que mais vale estar com os outros e não deixar nunca que introspecções despropositadas se intrometam no caminho da estupidez, que é viver sem ter realmente algum nexo tangível a que se agarrar com unhas e dentes, sem esquecer de cortar as unhas e lavar os dentes antes das refeições e depois da praia.