Soltam-se as palavras
Livres esvoaçam pelo espaço
Aberto incerto
Da mente sorridente
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Vidente de boas épocas
Vindouras sonhadas
Intercaladas por premonições
De esoterismo mistificado
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Canções espalham-se entornadas
Por viola atestada de sentimento
Puro cristalino de violento afecto
Projecto partilhado à volta da fogueira
Vontade de beijo dança na clareira
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Queima a madeira do isolado caso bicudo
Crónico afastamento da particular qualidade
Do momento que contudo nunca se repete
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Não faz frete quem ama
Enrola no corpo do outro
Sua a cola que pega na pele
Cega a beleza inverte a tristeza
Não há certeza do amanhã
Não é vã a vida trincada
Saboreado momento indecente
O presente é tudo o que importa?
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Ao fundo uma porta
Aberta incerta da mente
Sorridente esbatida ferida
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Encosta ao toque de leve
A mão feminina requintada
Enche preenche e pinta de côr garrida
A dureza empedernida
De séculos solitários
Mói a rocha dorida
O tocar suave
Não sugere entrave
Erode em areia fina
A má sorte triste sina
De olhar baço sustentado
Peso metálico de ferrugenta solidão
Em vão
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Chegada a água benta
Tudo o que arde cura
E cada segundo perdura
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Furada a casca do calo
Levado na cara o estalo
A vida é fácil o corpo é leve
O ar é fresco e os pássaros da frente
Chilream entre si que tudo passa tudo muda
E nada dura para sempre