Requebra na testa o encanto fugaz de sua passagem nítida desfocado perifericamente todo o espaço que não ocupa, banham-se os lábios no luxo da sua fragância tangível, trinca-se no ar a densidade poderosa de quem borrifa de espuma em carícia de pluma a face de quem a fita: réplicas ondulatórias do impacto surdo da sua chegada ecoam por entre as pernas tremelicantes fraquejadas no estalo da aparição em que nem se viu a mão só a perda de presença do tempo que corre e escorre até que morre nos braços do espaço, não adianta o que digo ou faço, tamanha façanha que fosse seria tacanha prendada no altar da base rente ao pé do pedestal onde se encontra a incognoscível entidade pura segura em sua pose possante de princesa altiva, furtiva lebre campestre esquivada da quase agarrada pata felpuda, saltita e o coração imita em seu palpitar cadenciado o ritmo respiratório fervente de tamanha energia condensada em corpo exaltado de escaldante mulher de mente linda que finda a resistência quebradiça de quem ousa. A porta à muito fechada dobra a custo empenada dobradiça ferrugenta prévia ao óleo da sua chegada que esconde o momento impossível do seu toque inatingível pela potencial volatilidade da calma que ainda não paira .
A presença de uma estrutura exige satisfação. A pretenção é expressar, jorrar fora o que se tem dentro, gerar dinâmica renovadora de sistema psíquico, criar um mecanismo optimizado de manutenção da homeostasia interna, assegurar transfiguração eficaz e coerente da malha neuronal de forma a minimizar o desperdício de recursos e energia em processos cognitivos autodestrutivos canalizando o excedente de uma forma construtiva e autopreservante.
terça-feira, setembro 20, 2005
quinta-feira, setembro 08, 2005
etérea
Abram-se as alas do presente que o futuro é de graça e o sonhado de outrora irrompe em chegada hora de pleno pulmão aberto em espremida consumada ânsia que rebenta em marrada de touro elegante estouro estilhaça dique de contido pressionado deslumbramento jorrado em espampanante dispersão aérea, etérea é a forma que se forma no instante do flash único de carimbado arrepio mnésico remniscente em longo suspiro nos dias de estagnação.
domingo, setembro 04, 2005
reverberante
Saem estufadas do forno as rosadas bochechas suadas de tenra iguaria luzidia de traseiro pomposo, soam as cornetas em toque de levedura fermentada e a passadeira vermelha é desatadamente estendida ao comprido no chão: passos compassados milimétricamente medidos manipulados por imagem de desmesurada altivez pousam os pés que comandam como pena assentada em excessiva leveza, frieza glaciar no olhar fixante no ponto para lá das paredes que não fitam nem ouvem os olhos de quem a vê, reverba sonante uma esfera com foco nela que afecta todos os presentes que ausentes se aninham dentro dela e flutuam tanto mais alto e distantes quanto mais próximas e errantes as mentes partidas passadas sofridas cansáveis dos inapagáveis desperdícios voláteis de oportunidades vertiginosas, pegajosas memórias pretas compostas por óleos petrolíferos persistentes provenientes de cargueiros carregados de cargas gastas de revistas redundâncias recicladas em cíclico perpetuado movimento. Nunca esquecer o momento do deslumbrado olhar descaído perplexificado em estática implosão iminente de diferente que é e toca e ama e rasga a película aderente que cobre o suposto real aparente oficialmente aceite como tal ao perto mas não ao longe onde se vê claro o véu que nos abraça forte de tamanho porte que em dia límpido vestido de azul quando o horizonte se explora fácil de olhos em bico e mão em pala o frágil manto neblinoso nos embrulha em sua fictícia amabilidade e untuoso nos abafa com carinhos a fogueira da vaidade que ao longe ofusca mas em sua busca desenterrei apenas amontoado de lenha húmida e um pacote molhado de fósforos gastos ao lado.
sexta-feira, setembro 02, 2005
chave
O fundo do buraco escondido aconchegado em manta tecida por próprias mãos calejadas desoladas pelo nada que agarram por vezes recebe visitas esquisitas pelo facto de ali estarem e não ao sol onde o calor dos outros que amam emana mais forte. Obrigado pelas visitas.
quinta-feira, agosto 25, 2005
citação
O prazer que tu esperas varia na razão inversa do tempo do esperares. E da inquietação também. Porque quanto mais esperas e te inquietas, menos prazer ele é. Espera-o no infinito para não te inquietares. E que ele seja depois o prazer que fôr. Mas o contrário também é verdadeiro.
Virgílio Ferreira in Pensar
domingo, agosto 21, 2005
citação
Não poderás vencer a morte. Mas impõe-lhe a vida como um bandarilheiro e verás que muitas vezes ela marra no vazio.
Vergílio Ferreira in Pensar
Vergílio Ferreira in Pensar
segunda-feira, agosto 15, 2005
silêncio
Os silêncios são das maiores forças do crescimento psíquico. Representam tempos de pacificação, de resolução de conflitos, de reencontro, mas também são espaços de abertura, portas abertas à comunicação e ao preenchimento do que existe à nossa volta. Surpreendem. Marcam. Fazem adormecer, tanto quanto fazem sonhar.
Pedro Strech in Público, retirei do blog Avoid Chaos.
sábado, julho 23, 2005
quarta-feira, julho 13, 2005
invariavel
Incómodo inconveniente de insuspeitada ternura carenciada em fervura num copo de água de futura tempestuosidade. Fartura de feira rodada por cantos de todos os mundos, em nosso profundo saber sabores de quem se prova fecundo. Decrépitas e velhas são as carcomidas carcaças dos abutres saciados pela fome dos outros que a aturam ataram atiram ao mar de suor despojos de guerra inglória não há memória de tão esbanjado tempo de vida não partilhado em complementada figura que fura na testa extrai a funesta deturpada imagem de ego arrastado por excesso de tralha pensada que se enreda em enredos diáfanos de emaranhados novelos em nós intrincados. Sós são os cavernícolas amantes da escuridão bafienta de mofo estragado casado com água musguenta afugentada da fonte que a pariu mas nunca a viu escorrida pelos labirínticos tubos de lava gelada desaguados em terras distantes de onde os maiores viajantes jamais ousaram partir. O que à de vir em vindouros dias de ouro passados com aclamada calma de serena passagem onde verdejantes os campos e azuis todos os céus de todos os mundos onde todas as cores cantam e em cada nota um tom de aguarela gorgolejada por gargantas de homens possantes de panças dançantes em festa expectante de tão esperada matança. O porco que fuja senão suja a roupa de quem ainda agora a lavou, limpada a brancura imaculada a frescura espichada de sangue cuspido num último fôlego moribundo de guinchada batalha perdida pela vida, expirada a última brisa dos finais do tempo vivido esquecido sopra o vento em calma constância imperceptível, murmura aprazível aos incautos doces segredos dispersos que escorrem pelas mãos que os vêem mas não os retêm, escapulida areia de ampulheta onde tempo é grilheta que acorrenta a valiosa momentânea qualidade da partilha dos instantes com os outros que cá estavam e que atiram ataram aturam a presença inconstante de imprevisível pessoa. Não é para dizer à toa que por mais que muito doa à que voltar à fundida, complementa coalesce abraça unidade perdida, basta vida que remexe tritura empurra e levanta após sono fundo canta que nem é preciso tanta pois de tão pouco que basta um mais forte empurrão de ir de nariz ao chão que no fecho bem fechado de um corpo já marcado por atiçador em brasa que de forma invariável e por mais que muito afável com benvinda novidade definhada a própria origem de fulcral e bem forjada velha amizade passada integrada em grossa manta de relembrados retalhos remendados recosidos que não podem ser esquecidos pois eles são nós e com eles não estamos sós.
sábado, julho 02, 2005
conturbação
Passados anos e anos de acumulação de pó, uso e desuso de caneta incógnita em papel escondido sobrevivido às vorazes traças baratas e peixinhos de prata, eis expostas as notáveis peripécias de um jovem conturbado que do fundo de um poço solta eco entoado de contidas maceradas jorradas cambaleando enjôo de ciclicidade: é a épica verdade de transtornada batalha travada à mão de navalha contra ladrão de si próprio. Quem irá ganhar? Poder-se-à apenas perder? Ou será a mera batalha por si, já é em si, a grande vitória.
sexta-feira, junho 03, 2005
convergência
Do lato experimentado apreendido no decorrer pela vida um afunilado caminho em lento ganho de consistência exibe a sua forma. Os anos escorrem e torcidos pingam identidade, o longo caminho tacteado em busca da verdade, os dedos magros de unhas raspados em parede rugosa e fria em viscosa abafada humidade de gruta, aos poucos dissolve-se a bruta amorfização. Ao longe o intangível mostra a sua sombra, o ponto de convergência assume-se como centenas de milhares de pequenas escolhas pontuadas por escassas decisivas opções nem sempre optadas mas dependente de milhões de outras opções de nós não derivadas, das anafadas formas bojudas que se alojam em fundas poltronas pantanosas, esfregadas mãos gordurosas ordenam a estrutura invisível que condiciona as milhares de milhões das acções dos homens. Ao longe já é perto e o cansaço cansou de fincar o destino. Finalmente é dado sentido ao menino só, do dó à paixão pela lacuna, duna após duna o árido deserto é transposto e o núcleo exposto. Engolido o desgosto diferença é agora vantagem investida, merecida vitória de sofridos pesados anos de acartada falha central, a mal aprende-se da melhor forma. A bem o petiz é feliz e na integração delicada enquadra a informação em alegre perspectiva de sol bem esfregado tudo é doirado e reluz ofuscante a lógica brilhante, pois se a estrada flui em direcção a nós próprios jamais a poremos em causa. A náusea vem do forçado equilíbrio insustentável da tristeza do pôr em causa a própria beleza, questionar infinito de criança insatisfeita, amorfo que sofregamente procura a sua forma, existência convergida em simples traços concretos, convergência de mil objectos tocados num ínfimo ponto sólido de luz, converge no ponto final a identidade firmemente adquirida, base sólida de consistente ponto de partida, é-se o que se faz e faz-se o que se pode nesta vida.
domingo, maio 29, 2005
terça-feira, maio 17, 2005
leveza
Soltam-se as palavras
Livres esvoaçam pelo espaço
Aberto incerto
Da mente sorridente
.
.
Vidente de boas épocas
Vindouras sonhadas
Intercaladas por premonições
De esoterismo mistificado
.
.
Canções espalham-se entornadas
Por viola atestada de sentimento
Puro cristalino de violento afecto
Projecto partilhado à volta da fogueira
Vontade de beijo dança na clareira
.
.
Queima a madeira do isolado caso bicudo
Crónico afastamento da particular qualidade
Do momento que contudo nunca se repete
.
.
Não faz frete quem ama
Enrola no corpo do outro
Sua a cola que pega na pele
Cega a beleza inverte a tristeza
Não há certeza do amanhã
Não é vã a vida trincada
Saboreado momento indecente
O presente é tudo o que importa?
.
.
Ao fundo uma porta
Aberta incerta da mente
Sorridente esbatida ferida
.
.
Encosta ao toque de leve
A mão feminina requintada
Enche preenche e pinta de côr garrida
A dureza empedernida
De séculos solitários
Mói a rocha dorida
O tocar suave
Não sugere entrave
Erode em areia fina
A má sorte triste sina
De olhar baço sustentado
Peso metálico de ferrugenta solidão
Em vão
.
.
Chegada a água benta
Tudo o que arde cura
E cada segundo perdura
.
.
Furada a casca do calo
Levado na cara o estalo
A vida é fácil o corpo é leve
O ar é fresco e os pássaros da frente
Chilream entre si que tudo passa tudo muda
E nada dura para sempre
quinta-feira, maio 12, 2005
renovação
Uma nova Era emerge após passada eternidade. A Era da morna amenidade da brisa que sopra do norte, da paz densa inspirada de frágil fragrância a princesa do bosque, humilde riqueza de Vida fervilhada em camponesa favorecida por florescidas bastas formas formadas em dias sem pressa por sossego de embalo, cadência campestre dos campos de terra arejada irrigada por água escorrida de calha roubada do rio o fio de caudal, cobiçado pela secura que sufoca a manta de terra de solo ressequido ávido de fluido, o solo sulcado por calos de pesada enxada tombada, rasgada a camada seca de poeira assente em calma aparente. Ao Sol radiante reluz a pele do lagarto que torra o dorso em muro escaldado de pedra à mão empilhada. O tempo pára
e descansa à sombra do chaparro fuma um cigarro e deleita-se no torpor envolvente de um todo ausente. Presentes apenas insectos tacteadores e os calores da envolvência de um universo amado.
segunda-feira, maio 02, 2005
ventre
Imerso em âmnio flutua o feto vagarosamente vestido em sua translúcida figura. Envolto em placenta não sabe o que não inventa, testa o membro recente sem fadiga roça na barriga por dentro, mexe o olhar atento do ente materno que o embrulha. Partido o aconchego de toca protectora e do manto líquido quente que ainda o sente, chegada a frieza do ar que fere o frágil pequeno pulmão, a exposição incubada da sala de vidro fechada, a palmada no rabo sem nada ter de pecado, eis por fim o seio encantado, o leite morno que sai do corpo de onde saído em atraso arrastado. Queria ficar para sempre no seu ventre seguro, não ter de enfrentar este mundo que aturo. No fundo jamais o deixei, continuo imerso no amor da sua presença a seguir o caminho que jorra da ponte por si projectada e a ter veia conectada com panaceia de conselhos protectores contra as dores. Beijo a bela face de quem me pariu mas nunca partiu, quem de mim fez o que hoje me vejo e de futuro prevejo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






