No momento critico chega-se ao ponto de fusão mental onde a psique explode para dentro, engole o seu próprio grito de sufoco atordoado e cai hirta por terra. Rasteja pelo esgoto putrefacto e implora ajuda aos transeuntes que se deslocam em rebanho e que a ignoram com desdenho. Chega o psiquiatra, homem de fato e gravata que diz que a vida é uma cascata onde águas passadas não movem moinhos. Cheio de falinhas mansas tanto falas que me cansas, fartos conselhos gastos e prescrições obsoletas, em quantos anos curarás as caretas provocadas por maleitas que refeitas atormentam? Sem resposta dada ocorre então de rajada a ebulicão do ego onde a euforia se expande roça o infinito e depois contrai-se ao ponto de se inverter. E quando isso acontece dói cá dentro. Dói por não haver espaco ou por o espaco ja estar ocupado pelos outros os que ja cá estiveram antes os desconstruidores do eu. Tanto amam como pisam, tanto falam como calam, ja tanto viveram que ja sabem o que vem depois. SHHhhhiuuu. Falem baixinho para eles não ouvirem, pois eles sabem que aqui estamos e do que nós precisamos deles. Pé ante pé até à beira do abismo. E ai acaba o ciclo para se iniciar uma nova era etérea flutuante. Até os pés atingirem o solo, depois do salto. Um salto alto para dentro de água gelada. E ai ficaremos aninhados nas ondas juntos eternos carentes molhados dispersos na espuma de areia enterrados.
A presença de uma estrutura exige satisfação. A pretenção é expressar, jorrar fora o que se tem dentro, gerar dinâmica renovadora de sistema psíquico, criar um mecanismo optimizado de manutenção da homeostasia interna, assegurar transfiguração eficaz e coerente da malha neuronal de forma a minimizar o desperdício de recursos e energia em processos cognitivos autodestrutivos canalizando o excedente de uma forma construtiva e autopreservante.
quinta-feira, novembro 06, 2008
quarta-feira, outubro 15, 2008
serão
Chá de menta, um cobertor, um sofá, uma televisão.
Descer
as
escadas
descalço
e de
robe e ir
buscar o cão.
chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero mangueira chão de cimento frio formiga chão de cimento frio áspero bola chão de cimento frio cão áspero rugoso chão de cimento frio áspero pedra chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso
Ele ás vezes ladra quando faz frio lá fora.
Será que sente como a gente , certamente.
Será que toda gente sente como toda a gente sente como toda a gente sente como toda a gente como toda a gente sente como toda a gente sente como toda a gente sente como toda gente? Subir as
escadas
enregelado
e o cão enroscado no sofá. Á espera esta um chá de menta, um cobertor, um sofá, uma televisão. Que melhor forma de passar o serão?
Descer
as
escadas
descalço
e de
robe e ir
buscar o cão.
chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero mangueira chão de cimento frio formiga chão de cimento frio áspero bola chão de cimento frio cão áspero rugoso chão de cimento frio áspero pedra chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso chão de cimento frio áspero rugoso
Ele ás vezes ladra quando faz frio lá fora.
Será que sente como a gente , certamente.
Será que toda gente sente como toda a gente sente como toda a gente sente como toda a gente como toda a gente sente como toda a gente sente como toda a gente sente como toda gente? Subir as
escadas
enregelado
e o cão enroscado no sofá. Á espera esta um chá de menta, um cobertor, um sofá, uma televisão. Que melhor forma de passar o serão?
quarta-feira, outubro 01, 2008
aviso
Atenção! É favor ignorar a pessoa nua sentada a defecar em frente a um espelho colocado no meio da sala . Perigo iminente! Pousem os pés como plumas com cuidado para não perturbar o denso equilibrio mental de quem se tenta concentrar em algo tangivel e maleavel ao toque do pensamento. O olhar que se foque no chão para nao causar fúrias irrompidas impetuosamente bruscas derivadas da ideia de confronto directo discordante com a atitude vigente. A respiração ofegante pode causar maleitas insuspeitas por provocar inesperadas deslocações de ar, controle-a ao ponto de se porventura colocar um espelho diante da boca, este nao se embaciará e o reflexo deverão ser nítidos pêlos do nariz humidificados pela condensação da agua corporal. Não nos responsabilizamos pelos danos que a pessoa nua a defecar em frente a um espelho colocado no meio da sala pode causar a pessoas susceptíveis de se confrontarem com a sua própria vulnerabilidade. Agradecemos no entanto a sua presenca e esperamos que esta experiência tenha deixado marca que possa mostrar e partilhar com quem lhe é mais próximo, e portanto que sirva para impulsionar futuras atitudes positivas.
terça-feira, maio 06, 2008
sonho
toc toc. -Quem é? -Sou eu. -Eu quem? -Eu sou tu. Acorda. -Vá lá, deixa-me dormir. -Nao, acorda que ja se faz tarde. A vida é um sonho e tens de acordar para o viver. - Mas o sonho ja eu o vivo aqui debaixo dos lençóis. Levantar para enfrentar este pesadelo é que não. Já disse, deixa-me em paz neste torpor anestesiante abraçado à minha almofada-nuvem. -Como queiras, depois nao digas que nao te avisei. Adeus. -Espera, vais já embora? -Sim tenho mais que fazer neste sonho de vida. Vou voar daqui para fora. -Mas e eu? Não me obrigas a levantar e a viver como um verdadeiro homem feito, completo e bem estruturado? -Não. A vida é um mistério, toda a gente tem de se erguer e lutar sozinha, depois partilhas com os outros aquilo que lutaste. Já dei o meu contributo, o resto é contigo. -Vou fazer a cama e deitar-me no sofá. E ai vou sonhar com o sonho da vida indefinidamente adiado.
sexta-feira, maio 11, 2007
nexo
Persegue-me a estranha sensação de já ca ter estado. Não um estar presente ofuscante, mas antes uma vela tremelicante no ventre duro das entranhas da terra. Na montanha, milénios de decomposição erodida flagelam sarcásticamente a encosta, no seio da qual escorrem límpidos rios de frescura matinal. Pudera que o retorno ao estado da sensação de ja cá ter estado reflectisse a erosão do estado de não saber onde estou. Assim a erosão do que sou poderia ser compreendida e por fim aceite, e com deleite poderia então bebericar da agua do rio de frescura matinal e deixar-me levar até ao mar onde flutuaria sobre as águas protectoras e balsâmicas até encalhar numa qualquer ilha perdida. Ai fundaria uma nova colónia de clones e teria apenas de lidar comigo mesmo. O caos rapidamente se instalaria uma vez que todas as falhas seriam amplificadas e a força da complementariedade da variabilidade das populações heterogéneas estaria ausente. Por isso digo que mais vale estar com os outros e não deixar nunca que introspecções despropositadas se intrometam no caminho da estupidez, que é viver sem ter realmente algum nexo tangível a que se agarrar com unhas e dentes, sem esquecer de cortar as unhas e lavar os dentes antes das refeições e depois da praia.
quarta-feira, novembro 22, 2006
substracto
Sei que a cada momento posso desleixadamente
perder tanto daquilo que tanto foi trabalhado a cada pesado dia que suado passei.
Só não sei se o sentido que dou à vida é real e se a imagem que tenho de mim corresponde à pessoa que sou.
Assim tudo aquilo que tanto foi trabalhado pode não passar de uma absurda forma de autovalorização desprovida de conteúdo.
E conteúdo o substracto denso do qual procuramos sorver autenticidade.
perder tanto daquilo que tanto foi trabalhado a cada pesado dia que suado passei.
Só não sei se o sentido que dou à vida é real e se a imagem que tenho de mim corresponde à pessoa que sou.
Assim tudo aquilo que tanto foi trabalhado pode não passar de uma absurda forma de autovalorização desprovida de conteúdo.
E conteúdo o substracto denso do qual procuramos sorver autenticidade.
quarta-feira, junho 21, 2006
o caminho
Limpa a a garganta do obscuro escuro entalado e aclara os olhos límpidos lavados que o estado presente move-se e atropela o pranto. Caminhada hesitante enquanto descalço perante a pedra no solo, levantada pode ter bicharada escondida no escuro por baixo mas pode ser preciosa brilhante por cima e então ser fechada na mão e nunca mais ser largada. Pudera que o caminho agarrado fosse feito de uma só estrada- a recta magistral- percorrida a passo solto salpicado por pontuais saltitantes passadas largas até que de tão esticadas enrolam-se reboladas num corpo cilindrador de papoilas vermelhas onde mil abelhas dançam afundadas no pólen que as recobre imundas. Desenrola-se em passadeira desdobrada o caminho das leves flores vermelhas passado a ferro num berro, o abraço verde da comunhão com as folhas sorvidas pelo pedúnculo oco ocupado por clorofila fluorescente ascendente espalhada na boca explode o sabor aos grandes tapetes de estepes onde a murchidão espreita pelo canto do olho e suprime metálicamente o esgar efusivo de um qualquer malmequer espertalhão, a camomila cai prostrada a seus pés e esconde os estames por detrás de meia pétala rasgada e os estiletes partidos de uma melancólica túlipa cabisbaixa descansam encostados a um torrão de terra. É a guerra.
quarta-feira, abril 19, 2006
terça-feira, abril 04, 2006
manias...
Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. Além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento". Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog."
Não sei bem o que diga, bem, é o que for:
1-A seguir ao banho matinal tenho uma fase de grande entusiasmo, que pode, ocasionalmente, envolver alguns passos de dança.
2-Em grande contraste vem a fase de colocar a roupa, que implica por vezes longos periodos de quebra ( ficar a olhar para o vazio completamente imóvel).
3-Comprar roupa é uma tortura, demoro imenso tempo, dou imensas voltas, nuncas mais me despacho.
4-Muita gente junta faz-me confusão, gosto de calmaria, uma coisa de cada vez.
5-Perco imensos objectos pessoais fulcrais (nao sei do meu telemovel), esqueço-me de coisas importantes, sou um cabeça no ar.
E para finalizar, convido toda gente do blog Be Bop a Lula a expor todas aquelas manias que guardaram em segredo todos estes anos.
sábado, março 25, 2006
segunda-feira, março 20, 2006
aperto
Olá num dia de aperto de mão no qual a tal cumprimenta os dedos que se abrem em flor e em surpresa de espasmo vêem que nas pontas das unhas se reflecte um olhar terno invertido pela pessoa que aperta do outro lado do braço. Um traço visível possívelmente marcado seria que ao invés de o sorriso ser sempre rasgado até às rugas dos olhos e o aperto ser de força garrida constante perante qualquer situação, antes a mão denuncia o prevaricador de consciência que se afirma pela inconstância da força com que prime a mão que aperta, proporcional ao valor que atribui à peça que chocalha do outro lado do braço que balança consigo, embalado inimigo metódicamente tocado pela mecânica do sorriso macilento que em tónica de cimento fala e diz o que tem de ser o que é. Desenrola-se entretanto um teatro onde cada marioneta é o próprio fio que a sustenta prende e enlaçada em cruz de pau rodopia puxada pela meada entrelaçada que em rolo a enrolava que nem anzol em cana encalhada. Portanto o silêncio pode ser mais que ausência e menos que tudo, o que fica por dizer antes se concretiza na beleza da simplicidade de uma presença subtil, escapulida por funil infiltra-se por baixo das sombras que dançam no solo com suas damas as chamas pavoneadas esgueiram-se malandras por entre meandros ardidos.
sexta-feira, março 17, 2006
domingo, março 12, 2006
"Tirem-me os deuses
Em seu arbítrio
Superior e urdido às escondidas
O Amor, glória e riqueza.
Tirem, mas deixem-me,
Deixem-me apenas
A consciência lúcida e solene
Das coisas e dos seres.
Pouco me importa
Amor ou glória,
A riqueza é um metal, a glória é um eco
E o amor uma sombra.
Mas a concisa
Atenção dada
Às formas e às maneiras dos objectos
Tem abrigo seguro.
Seus fundamentos
São todo o mundo,
Seu amor é plácido Universo,
Sua riqueza a vida.
A sua glória
É a suprema
Certeza da solene e clara posse
Das formas dos objectos.
O resto passa
E teme a morte
Só nada teme ou sofre a visão clara
E inútil do Universo.
Essa a si basta
Nada deseja
Salvo o orgulho de ver sempre claro
Até deixar de ver."
Odes de Ricardo Reis em Obra Poética de Fernando Pessoa
Em seu arbítrio
Superior e urdido às escondidas
O Amor, glória e riqueza.
Tirem, mas deixem-me,
Deixem-me apenas
A consciência lúcida e solene
Das coisas e dos seres.
Pouco me importa
Amor ou glória,
A riqueza é um metal, a glória é um eco
E o amor uma sombra.
Mas a concisa
Atenção dada
Às formas e às maneiras dos objectos
Tem abrigo seguro.
Seus fundamentos
São todo o mundo,
Seu amor é plácido Universo,
Sua riqueza a vida.
A sua glória
É a suprema
Certeza da solene e clara posse
Das formas dos objectos.
O resto passa
E teme a morte
Só nada teme ou sofre a visão clara
E inútil do Universo.
Essa a si basta
Nada deseja
Salvo o orgulho de ver sempre claro
Até deixar de ver."
Odes de Ricardo Reis em Obra Poética de Fernando Pessoa
quarta-feira, março 08, 2006
quando
Desembolsada ausencia figura a tua renumeração tardia envolvida em bruma fria que tarda em chegar. Mordaz a bolsa vazia que faz da cabeça um fosso oco esventrado de um poço de areia ecoado em buraco de ar. Flutuas tu que tens a leveza de um bolso furado nas nuvens mas pesam-te nas mãos os calos de tanto andar a fazer o pino no chão de gravilha derrapada, desgastas as palmas e gastas as pilhas batidas derretidas na ponta da língua palrada no palco percurtido com cajado de madeira densa, o som ecoa por entre as pernas das cadeiras vazias e toda a gente sabe escondida por detrás das cortinas que o espectáculo da vida vai começar.
domingo, março 05, 2006
sábado, março 04, 2006
aquilo
Levas tantas que ás tantas nem sabes às quantas andas. Levas poucas que ás tantas nem andas com tantas que tens. Se tens muitas desvalorizas aquilo a que precisamente deves dar mais valor. Portanto deves ter cuidado para quando levares trazeres sempre daquilo que mais importante se torna.
fim
O fim. Por fim poderá enfim dos escombros erguer-se à altura dos ombros a base apoiada em massa de cal amassada a partir da qual um novo resfolegado princípio folgado poderá emergir.
sexta-feira, novembro 25, 2005
parto
O amor, a cola que nos une, união esboroada em solidão por quem não a escolheu nem assim nasceu, antes na vivência se imiscui na criança que persiste e nunca desiste pois não há maior força que aquela parida da mais vulnerável fragilidade.
quarta-feira, novembro 23, 2005
ciclo
O fim. Esse. Não virá nunca até o tempo jamais se gastar todo esgotado em toda a sua dimensão infinita e não houver mesmo mais nada a fazer com as migalhas perdidas sopradas que restarem por aqui. A dor. Essa não cessará jamais enquanto o tempo todo se perder em o que não é complementação de estrutura psíquica interna formada ao sabor do andar sem pensar e do ir sem ver o tempo chegar. Mas quando ele chega estende a bandeja das migalhas onde já não sobra senão grão de poeira passada de tempo esquecido em fútil chapada de investimentos não complementadores, daí as dores. O princípio. Esse já foi à tanto e já tanto acumula e sobeja na sábia forma da estrutura biológica que obedecer-lhe ao caminho traçado é a questão premente, mas por vezes o dedo torcido apontado mente, o sentimento indica várias vias possíveis caminháveis mas viáveis só uma a correctamente seguida será coroada de glória e é nessa que começa a história, o ciclo, o retorno ao que tem de voltar a ser, pois a glória esbate-se esfuma-se dilúi-se com a suave mas empedernidamente rija constante brisa da lenta passagem do tempo.
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